terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Livraria Santuário recebe o jornalista Rodrigo Alvarez em Aparecida

Evento promovido pela Livraria Santuário terá um bate-papo com o jornalista que se dedicou anos à biografia da Santa Aparecida.



Na sexta-feira, 27 de janeiro, o jornalista e correspondente Rodrigo Alvarez estará no Santuário Nacional de Aparecida, para um bate papo e sessão de autógrafos dos livros "Maria”, “Aparecida” e “Humano demais - A biografia do Pe. Fábio de Melo". O bate-papo será mediado pelo jornalista Lílian De Paula e terá início às 19h.
Rodrigo Alvarez é jornalista, correspondente internacional da Rede Globo, autor dos best-sellers Aparecida, Maria e Humano demais - a biografia de Pe. Fábio de Melo. Rodrigo ganhou destaque com a cobertura do conflito Israel-Palestina em 2013, quando trabalhou como correspondente da emissora no Oriente Médio.
O livro Aparecida – A biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil é fruto de pesquisas realizadas no Brasil e no exterior pelo jornalista. A obra apresenta os três séculos de história da imagem de Nossa Senhora Aparecida, símbolo da fé católica no Brasil.
As vagas são limitadas. Para participar é necessário a confirmação de presença através do e-mail: comunicacao@editorasantuario.com.br ou do telefone: (12) 3104-2043 | 9.9711-8381


                                          Bate-Papo com Rodrigo Alvarez
Local: Sala dos 3 pescadores – Subsolo do Santuário Nacional de Aparecida
Horário: 19h
Após o bate-papo o autor ficará disponível para sessão de autógrafos

Contato
Letícia Soares | Mariana Bastos | Tatiana Campos
Marketing Editora Santuário
comunicacao@editorasantuario.com.br
Telefone: 3104-2078 | 9.9711-8381


domingo, 15 de janeiro de 2017

Da Bahia ao Espírito Santo: para começarmos 2017 com muito axé e muita calma

Quem dera eu conseguisse fazer uma poesia, para descrever tão bem aquelas que foram consideradas nossas melhores férias... (Não é mesmo meu companheiro, amigo e namorado, Luís Flávio?).
Para selar bem o ano de 2016 e começar melhor ainda 2017, Luís e eu escolhemos a Bahia e o Espírito Santo como destinos de férias.
A viagem deixou para trás o luxo ao qual contamos todos os dias, nem percebemos: comida, internet, banho, tv e família por perto.


Em troca, conquistamos a alegria do livro arbítrio, da liberdade, da escolha e dos resultados.
De poder decidir o destino ao qual realmente se deseja ir e também de poder deixá-lo assim que achar viável.
Nossa viagem começou no dia 27 de dezembro de 2016, exatamente às 5h30 (madrugada).
Conosco foram também os produtos (alimento, roupa e máquina fotográfica), ou seja, o que cabia em nosso Fiesta. Ah, além de tudo que cabia dentro, foi também do lado de fora, nossas companheiras inseparáveis: as bikes.
Com tanta vontade de descobrir o novo, gastamos o tempo e a estrada que tínhamos para conquistar até a Chapada Diamantina, na Bahia, com muita conversa boa, música e descobertas.


As estradas que levam até a Bahia são repletas de personagens, paisagens, engraçadinhos no trânsito e surpresas boas.
Uma delas foi o encontro com dois ciclistas no dia 28 de dezembro de 2016 entre Minas e Bahia. A surpresa aconteceu depois de nossa primeira estada em Montes Claros, ao final do primeiro dia de viagem.
 João Batista e Valmir haviam saído, havia 15 dias, de Santana de Parnaíba (SP) em direção à Bahia.
Quinze dias de viagem e um sorriso enorme no rosto.
....
Depois do encontro, do almoço e do clique das fotos, bora pegar estrada rumo à Chapada.
O bendito GPS foi um companheiro inseparável, mas também nos pregou algumas peças.
Nos jogou em estradas de terra, daquelas infinitas. Mas o que parecia ser ruim, nos apresentou um mundo, até então, desconhecido. Personagens no fim do mundo, aqueles que fazem questão de lhe oferecer, além de informação, um abraço amigo.









Muitas estradas estaduais da Bahia são assim, de terra batida, obstáculos, carro atolado na areia, e até com ponte quebrada, onde a água insiste em não passar.
Para a seca, uma cisterna. Para a estiagem, centenas de plantas sobrevivendo e colorindo o caminho. Que contradição! O que pode explicar é o solo tão rico da Bahia. A Chapada tem mais de 500 milhões de anos e muitas formações.
As palmas, por exemplo, servem de alimento (diga-se de passagem: uma delícia).
No primeiro dia de viagem (27/12) foram 12 horas de viagem, já no segundo dia (28/12) ficamos 14 horas na estrada.
Vale muito! A Chapada gigante conta com 38.000 km², está localizada no Centro da Bahia. Quase podemos dizer que embarcamos rumo ao coração do Brasil.
Igatu
Enfim, chegamos quase de madrugada em Igatu, nosso primeiro destino na Chapada.
Quem nos recebe, além do dono do Camping Xique Xique, Rafael????











Sapos!!! Na porta da barraca que montamos.....
No dia seguinte, fomos para um pedal pelas ruínas de pedra que restaram dos tempos áureos do garimpo (século 19).
Logo de cara, conhecemos um Museu a céu aberto intitulado “Galeria Arte e Memória”. Conta apenas parte da história dessa região, povoada no passado por criadores de gado, produtores de café e comunidades quilombolas.

Muitos foram até ela em busca de ouro e diamante.
Explorou-se muito! Ouvimos relatos de que até hoje algumas atividades ainda persistem, e de que apenas 20% da Chapada teria sido explorado.
Essa gigante, em seu auge, possibilitou até negociações até com o mercado europeu. Com o fim da exploração, em Igatu, por exemplo, o mundo parou. Parou e renasceu. Esses municípios descobriram a vocação para o turismo.
E que vocação maravilhosa!!!! Luís e eu fomos garimpar...
Igatu tem 6 cachoeiras, mas nesse primeiro dia na cidade (29/12) sentimos apenas o calor da Bahia. Resolvemos pegar as bikes e botar no chão! O pedal contou com uma descida forte e um calor mais intenso ainda. Parada para lanche embaixo de uma das milhares de enormes pedras.
Após o pedal, um ótimo restaurante para desfrutar do peixe, da farinha, do suco de mangaba...... e do ótimo atendimento de um guerreirinho baiano, o garçom, que também é guia, vendedor e artesão (Dacimar).
No segundo dia em Igatu contratamos um guia, ou melhor, compramos um.... por R$49,90. Afinal, isso, faz parte do passeio mais livre.
E o guia nos apresentou a Cachoeira dos Pombos e o Córrego do Meio.
A seca tornou a paisagem bastante diferente da que o guia impresso havia nos apresentado.
Nem tiramos foto!
No caminho, entretanto, conhecemos o cemitério onde foram enterrados corpos de vítimas da varíola.
Igatu, descrevemos como sendo o berço dos escaladores, o local com mais pontos de escalada para quem quer conhecer rochas mais de perto.
Lençóis
Resolvemos partir para Lençóis, até temerosos, por conta de ser a cidade da Chapada mais movimentada, ficamos com medo do excesso de turistas.
Bobagem, ao chegarmos já fomos recomendados a um camping maravilhoso, Lumiar. E foi lá que conhecemos o Brasil de perto. Tantas famílias, pessoas de regiões distintas, troca de informações riquíssimas, uma faculdade de conhecimento em poucos dias.







As ruas de Lençóis em muito se parecem com São Luiz do Paraitinga, a diferença é o sotaque arrastado e a calma dos comerciantes e moradores.
Diferencio comerciantes e moradores, pois muitos empreendedores são de fora da cidade, mas  alguns de Salvador.
Lençóis se estenderam para que passássemos ... foram cinco dias maravilhosos nessa cidade, carregada de gente feliz, cachoeiras lindas (Roncador e Poço do Diabo), locais para pedal (Roncador), vista incrível do horizonte, que parece infinito (Morro do Pai Inácio), artesanato (com “z”, pois a Bahia pode..). Foi lá que conhecemos uma baiana linda, de cabelos brancos, habilidade de sobra com as mãos e samba no pé, é Dona Edith..... linda mulher na fala e no coração.

















Lençóis também tem o melhor suco de abacaxi, hortelã e maracujá.. .(fomos apresentados à essa mistura maravilhosa pela primeira vez)
Ah, a culinária também incluiu crepe de palmito de jaca e cuscuz no café da manhã.....
E já que falamos de escalada, Lençóis recebe muitos escaladores.
Luís jura que não queria escalar, mas levou a mochila com todos os itens no carro.
Não deu outra, um dia para escalada e conhecer novos escaladores (Kend, Pedroca e Diego Fávero "Pará", hoje residentes em Lençóis) e (Júlia e Luís Fernando de Piracicaba).
A virada do ano foi mara, sensa, tudo. ......
Com direito a conhecer todas as modas sertanejas do momento, clima de família, clima animado, reflexo do que Lençóis vive ao longo do ano.
Foi lá também que conhecemos um figura e tanto, o tapioqueiro que também aproveita o ponto comercial e o alto movimento para animar clientes com o som que instalou na barraca.....








Palmeiras
O passeio à Chapada também incluiu flutuação na Pratinha (Palmeiras), foto aquática (Pratinha) visita à Gruta Azul, Pedal na trilha que leva ao Ribeirão do Meio, e um baiano porreta.
Pra se ter uma ideia, o comerciante da beira da estrada nem se levantava da esteira para nos atender (rsrsrs).
Indagado sobre sua preguiça, ele disse assim: - Para que se levantar, dá trabalho. Eu relaxo tanto, que chega à noite tô até cansado. Isso só acontece na Bahia, sensacional!!!




Vale do Capão
Por falar em pedal, foi no Vale do Capão que comprei muitos terrenos (queda de bike) no caminho para a Cachoeira Águas Claras. Nessa cidade ficamos dois dias.
A cada pedalada um tombo animado.
A cada pedalada o Morrão gigante se tornava companheiro mais chegado.
Foram mais de 3 horas ida e volta de caminhada, um treino ótimo de single treck.




















No Vale do Capão também degustamos a melhor comida da viagem, um risoto com shitake, creme de espinafre e outros tantos ingredientes, além de uma massa defumada com queijo.
 No Capão, torna-se quase que obrigatória a ida até à Cachoeira da Fumaça (400 metros), mas a falta de chuva fez sumir a queda dessa gigante, por isso decidimos não ir e antecipar nossa viagem de volta.
Nova Redenção
O Guia da Chapada nos mostrou Poço Azul, como estava no caminho de nossa viagem de volta, passando pelas praias da Bahia e Espírito Santo, decidimos como destino o Poço Azul, em nova Redenção.








Foi nele que encontraram fósseis de quatro preguiças-gigantes e uma ossada praticamente completa. O animal tinha cinco toneladas e cerca de 10 mil anos.
O mergulho no Poço Azul é uma viagem pela grandeza do universo.
Ao flutuar naquelas águas, que só se encontra depois de percorrer muitos quilômetros por uma estrada desértica, com muito sol, sem vegetação e poeira de sobra, você percebe que pode ir mais, muito além do que fazemos em nosso cotidiano.
Podemos flutuar, enxergar lá no fundo (20 metros) e perceber que há mais a ser descoberto.
A despedida da Chapada foi num ritmo triste, não queríamos ir embora. Será, com toda certeza, destino de outras férias.
Caraíva
A viagem continuou por território baiano, desta vez o litoral sul da Bahia. Foram mais dez horas de viagem até esse paraíso indígena. Ao chegarmos na vila ou comunidade, fomos surpreendidos com a notícia de que carro não entrava. Até parece que fomos imprudentes em não nos informar antes, mas é que a internet não funcionava. Boa parte da viagem nos desligamos muito.



































Ao chegar à comunidade, embarcamos num barco para travessia do Rio Caraíva.
Em Caraíva, ficamos no Ecocamping- de um dos integrantes de uma aldeia indígena pataxó.
A comunidade é repleta de bares, comércio, opções de passeio. Mas Luís e eu com o espírito livre, optamos por fugir de qualquer roteiro. No primeiro dia, jantamos num restaurante bem bacana, chamado Mangaba. No segundo dia, ficamos na praia, passeamos de caiaque pelo Rio Caraíva e Luís se aventurou na correnteza, ora causada pela invasão do mar no rio, ora pela entrada do rio no mar.
No dia seguinte topamos correr e caminhar, saindo da praia em que estávamos, passando pela praia do Satu e indo até a Praia do Espelho. 20 kms de exercício físico, passando por praias desertas e lagoas. Uma das lagoas foi a piscina olímpica, o palco para exercitar o nado que, confesso, não tenho habilidade alguma.
Muitas coisas nos chamaram atenção em Caraíva, inclusive o pastel de arraia.
Mas, sem dúvidas, a mais marcante foi uma indiazinha chamada Ayla. Com apenas 4 anos ela nos encantou com seu olhar puro de um bichinho do mato, cheio de perguntas mirabolantes, carregados da cultura do homem pataxó. Que pureza!
Sair de Caraíva foi difícil, mas os nossos planos de volta tinham de continuar. E viemos em direção ao Espírito Santo. Depois de 12 horas chegamos em Marataízes. O preço abaixo do mercado do chalé que ficamos até nos assustou. Apenas R$ 60 reais a diária.
Decidimos não ficar muito no Espírito Santo por alguns motivos que aqui não cabem ser ditos. Decidimos antecipar nosso retorno, a saudade de descobrir novas estradas era grande.
A princípio, a viagem de volta teria uma parada em Ibitipoca, MG. Mas a chuva não nos encorajou a ficar no Parque. Então, depois de quase 20 dias, chegamos de volta à nossa casa.
A saudade dos cachorros era tanta, que os pulos, lambidas e olhares de nossos bichinhos pareciam ainda maiores e mais intensos.
Descobri nessa viagem um companheiro e tanto. Além de motorista, escalador, um amigão, que deixou a tensão do dia-a-dia de lado e encarnou um homem bem humorado.
 Obrigada, Luís Flávio. Obrigada GPS. Obrigada Brasil pela biodiversidade, diversidade, cultura, estradas.... enfim, pelo espírito enorme dessa nação.
Resultado:
Andamos 4.500 km, voltamos mais maduros, com mais respeito ao próximo, sabendo que o Brasil é maior do que se imagina, de que as diferenças fazem parte da grandeza. Voltamos certos  de que o Fiesta se mostrou um gigante, coitadinho!!

Recomendações
Campings Lumiar (Lençóis), Lakshimi (Capão) Eco Camping (Caraíva);
Na Chapada observe muito, há cada cenário incrível ao longo da viagem, estradas maravilhosas dentro do parque da Chapada.
Cuidado apenas com alguns acessos, como de Igatu e Capão. Muita pedra exige cautela com carro.
Comprar o Guia da Chapada, muito parceiro de viagem.
Caraíva não permite a entrada de carro. Apenas por Monte Paschoal você consegue deixar o carro mais próximo de campings.
É um lugar lindo, bem estruturado, mas a comida é  cara. Por isso, ficar num camping te proporciona a liberdade de comprar a sua comida e fazer na cozinha oferecida pelo camping.
Espírito Santo é um lugar muito acolhedor, entretanto a nossa impressão foi de abandono em muitos locais. As pessoas são muito receptivas. Lindas!!!! 
Uma pena ter tido essa impressão, pelo menos em Marataízes.
Viajar de carro, descobrir caminhos, proporciona um crescimento incrível.

Recomendamos!!!!!  Todos podemos!!!!