domingo, 23 de agosto de 2015

Chegamos até aqui. Agora temos que retroceder para progredir

Olá gente, tudo bem?

O que eu mais tenho ouvido quando faço esta pergunta é a palavrinha “não”.
Talvez ela seja dita com tanta frequência pelo contexto em que vivemos. Um cenário de crise econômica, desemprego, fome e tantas outras questões.

Mas há uma crise bem maior que essa, a crise causada pelo mau uso dos recursos naturais. Esta sim podemos dizer que dita a continuidade de nossa existência nesta terra.

Quando questionado nesta que é a primeira entrevista que faço oficialmente para o meu blog de meio ambiente com um especialista no assunto, o pesquisador José Luiz de Carvalho, do Instituto Florestal de Taubaté, ele respondeu o seguinte:

“- Não muito diferente de outros países, a situação do uso indiscriminado das florestas no Brasil vem causando impactos de grandes proporções sobre os recursos hídricos, sendo estes impossíveis de se reparar em curto prazo”, ressalta o pesquisador.

Há quem queira e acredite em medidas imediatistas como solução, quando todos nós sabemos que para tudo tem um tempo. Um tempo se faz necessário para a recomposição, transformação e adaptação.

Espécie nativa- foto: Ocilio José Azevedo Ferraz e Alberto Goro Yamamoto

Ainda segundo  um artigo deste que não é somente um singelo especialista, mas sim pode ser chamado de guardião da natureza, não pelo fato de que carrega um escudo e uma arma, mas sim pela postura  de respeito que adotou há um longo tempo,  a Mata Atlântica, aquela que nos protege como um cobertor que aquece no frio, aquela que nos cerca e ao mesmo tempo traz beleza para onde se quer que se olhe neste vale de imensidão verde (Serra do Mar, Serra da Mantiqueira e Serra da Bocaina), estudos realizados por CAVALLI et al. 1975, demonstram que o Estado de São Paulo em sua situação primitiva (Século XVI), ou seja, quando aqui somente habitavam os aborígines, a cobertura florestal natural, composta de Mata Atlântica, Cerradão e Matas de Araucária, ocupava 81,7 % da área do Estado de São Paulo.

Em 1886, com a exploração pela agricultura, a cobertura foi reduzida a 70,5%. A partir de 1920, a cultura do café e a expansão das ferrovias movidas à lenha trouxeram perdas de quase 30% à cobertura florestal nativa. No início da segunda década do século XX, tínhamos 44,4% da mata.
A continuidade do processo de devastação florestal continuou até a década de 70. Pesquisadores constaram a existência de aproximadamente 8,3% de cobertura vegetal florestal natural, ou seja, em cerca de 470 anos houve um decréscimo de 73,4% da cobertura de vegetação florestal nativa do Estado de São Paulo.

Hoje temos aproximadamente 7%.  Será que tem jeito de recuperarmos, voltarmos no tempo? O Japão que o diga.


Orquídea: Prova de que a natureza nos surpreende.
foto: Ocilio José Azevedo Ferraz e Alberto Goro Yamamoto

“O histórico do uso e ocupação das terras no Japão levou a exaustão dos recursos florestais, somado às guerras, isto foi muito trágico para o país. Hoje 70% da área do país é coberta por florestas de conservação e de produção e são muito valorizados pelos serviços ambientais prestados”, afirma José Luiz.

José Luiz foi categórico em dizer que contra todos os fatos e argumentos resta a esperança.

“Mesmo com a perda histórica que nos assola, tem salvação, pelo menos no Estado de São Paulo, pois muitas áreas estão protegidas como Unidades de Conservação, tanto de Proteção Integral, como as de Uso Sustentável (SNUC). Precisamos ampliar esta proteção, se conseguirmos aumentar o quantitativo de 7% para 14% da área original, será um ótimo ganho ambiental, mesmo assim isto significa “dobrar a área de cobertura de Mata Atlântica” em algumas regiões do país”, compartilha o protetor do meio ambiente.

foto: Ocilio José Azevedo Ferraz e Alberto Goro Yamamoto



  Como fazer isso? 

“Proteger ainda mais os remanescentes de Mata Atlântica, especialmente aqueles que estão inseridos em Unidades de Conservação. Incentivar a recuperação da “Mata Ciliar” aumentando os “corredores ecológicos”, que irão ligar os fragmentos florestais. Implantar a “Reserva Legal” nas propriedades rurais (20% da área com cobertura florestal) aumentando sobremaneira a quantidade de vegetação florestal. Informar o cidadão sobre a importância da árvore e das florestas e seus serviços ambientais (proteção da água, solo, biodiversidade etc)”, conclui José Luiz de Carvalho.



Professor José Luiz de Carvalho- Instituto Florestal- Foto: comitesm.sp.gov.br